quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Alemão, UPPs e descaso generalizado do estado.

Acompanhamos recentemente o "triunfo" das ditas forças do estado no Rio de Janeiro, particularmente no complexo do Alemão e posteriormente divulgado pelo WikiLeaks, que esta intervenção já estava há tempos previstas, aproximadamente um ano, surge algumas questões candentes.

Ficamos felizes ao vermos os tanques e todo o aparato bélico militar apresentando-se quase como em um filme ou mesmo nos conflitos armados que pululam em todos os cantos do mundo. E quando o comandante maior da polícia militar do Rio de Janeiro anunciou que o complexo estava tomado foi o ápice do regozijo, como se todos os problemas do estado ou mesmo do Brasil estivessem sanados. Com a cobertura midiática, que compreendia praticamente toda imprensa, pareceu-nos que o destino da nação passava pelo triunfo da dita operação militar.

Com todo o discurso das UPPs, que parecem ser modificações importantes na história das comunidades do Rio de Janeiro, que diga-se de passagem eram denominadas favelas e eufemisticamente passaram a chamar-se comunidades, sofreriam avanços graves, será?

Além das recorrentes denúncias de abusos policiais como sempre sobre os mais fragilizados socialmente, aventamos não sem razão a questão:  toda esta movimentação atende a quem, a que interesses? Espero sinceramente que não seja apenas pela Copa do Mundo ou das Olimpíadas que se aproximam, embora tema que este seja uma das principais motivações.

Li uma colunista da Folha que colocava um dado importante, em um agrupamento populacional tão significativo como há neste complexo habitacional, existem apenas duas escolas. Sabemos que o estado lavou descaradamente as mãos em relação a este povo e hoje o crime organizado cumpre quase que integralmente o papel do estado/governo, organizando e mediando as relações humanas destas localidades. Agora cumpre ao estado, não apenas mobilizar todo seu aparato bélico.

Se a nação não colocar para funcionar toda sua estrutura social, criando uma malha de proteção e de promoção social para esta população, certamente no período de 2 anos, talvez um pouco mais ou até menos, a lógica atual se apresentará. Cabe ao governantes e sociedade organizada, não apenas combater os narcotraficantes, mas a chaga social, que é a polícia corrupta do Rio de Janeiro e suas milícias que hoje lá prosperam.

Estes são os desafios verdadeiros, promoção social para o povo, combate às verdadeiras trajédias locais e por favor, parem de nos engambelar com a história de que os "Barões do Tráfico" estão nos morros, estes certamente estão na Zona Sul do Rio ou mesmo no exterior. A grande maioria lá, dos que estão no morro, lutando com a polícia são "bucha de canhão", que ganha um pouco mais de dinheiro aqui para jazer lá na frente.

6 comentários:

  1. Oi meu irmão,bacana a iniciativa, Parabéns!, concordo com sua postagem, e diria que antes de se prender os ditos barões do tráfico é necessário prender os barões da política, que hj chupam as tetas do governo como ávidos vampiros.

    O esquema das drogas como vemos nos morros cariocas e Brasil a fora (o que ultimamente pouco se fala), é apenas a ponta do ICEBERG que estende seus tentáculos por meios que não fazemos a mínima idéia.

    Infelizmente no Brasil as coisas funcionam meio que por moda, vamos ver até qndo essa do combate vai durar.

    Um abraço!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Concordo com vocês, mais fico p. de saber que querem nos fazer de marionetes desses políticos, que deveriam estar preocupados em melhorar as nossas vidas e não ficar negociando com bandidos. Agora eles posam de herois como se o problema fosse recente e do nada surgiram os traficantes. Eles estavam lá porque o governo não estava. Mas, a globo estava lá, passando tudo em tempo real, uma maravilha! Agora devem estar rindo muito e planejando onde vão se instalar. Espere que não seja aqui, por que já temos bandidos suficentes.
    Só nos resta a indignação.
    bjs

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  4. Excelente texto, irmão! Embora agora a seguirmos por caminhos algo 'diferentes', creio que, no geral, nossas preocupações e objetivos de longo-prazo não sejam lá muito 'distintos' (se é que você me entende). :D

    Meu adjetivo inicial para tua análise se deve, basicamente, pela tua acurada percepção em apontar o "wikileaks" como 'caso precedente'. Por esse ângulo e podemos ver, sem qualquer sombra de dúvida, como é que realmente funcionam as 'engrenagens podres da política'.

    No mais, infelizmente, como bem observado, é certo que a "maravilhosa campanha" só se concretizou, de fato, por demandas muito mais 'externas' do que legítima preocupação interna.

    'Finalmente', me agradaria muito se pudéssemos ler (quem sabe) um próximo post teu tratando a respeito do mais que atual e problemático caso "Julian Assange". Fica a sugestão.

    Parabéns pela iniciativa do Blog, o qual certamente estarei acompanhando de muito próximo dado a qualidade e fineza das tuas ponderações sócio-políticas. Abração, Léojanz.

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  5. Cara Mari é certa sem dúvida a leniência dos poderes públicos com todo o processo do crime organizado. Concomitantemente a isto se instaura a dinâmica midiática de promoção e auto promoção valendo-se destes eventos, mas acredito que mais importante que torcer para que estes bandidos não venham para cá é exigir dos políticos que criem condições político sociais para que o crime organizado não cooptem nossos jovens e crianças.

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  6. Caro Léo obrigado por acompanhar minhas mensagens, suas opiniões são muito relevantes para mim.
    Sem dúvida nossas preocupações sempre foram muito interligadas e em grande sintonia.

    Caro amigo assim que houver tempo colocarei algumas impressões mais detalhadas sobre o "Wikileaks" e seu mentor Assange.

    Grande Abraço.

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