Lembro-me em 1999 quando a mídia noticiou jovens entrando em uma escola americana e atirando a esmo, este momento impingiu grande consternação mundial. Sinceramente não conseguia compreender como jovens eram capazes de cometer tal barbárie, que motivações os levavam a perpetrar tal ato. Este morticínio foi conhecido como Columbine, dois adolescentes significativamente armados invadiram a escola secundária e mataram doze adolescentes e uma professora, ceifando a própria vida na sequência. Observando o bárbaro crime cometido por Wellingotn de Oliveira e a forma como grande parte dos meios de comunicação trataram e ainda estão tratando o evento, nos questionamos em que medida a mídia não se refastela com estas situações visando exclusivamente a audiência.
A exploração midiática de fatos como este vai além do tolerável, adotando posturas como constantemente noticiar as mesmas informações, acaba por cair em especulações e ilações sobre o fato ocorrido. Por vezes criando uma atmosfera de comoção e uma noção equivocada da realidade. No caso em questão, indiscutivelmente o que se passou na escola do Rio de Janeiro foi um fato isolado, não representando a regra dos acontecimentos nas escolas brasileiras, mas o alarde é tanto, que a cultura do medo se potencializa, por vezes desviando do fulcro da questão, por onde deveria circundar a discussão, de fato.
Entendo que nossa sociedade é uma das mais doentes e desajustadas, cria loucos sistematicamente e estes estão escondidos, aguardando o momento mais propício para cometer insanidades. Vejamos, em Porto Alegre em fevereiro deste ano, um motorista atropela vários ciclistas, por ocasião de uma bicicleta que ocorria na cidade, felizmente não houve mortos e para espanto o motorista esta respondendo em liberdade. Curiosamente no mesmo ano do massacre de Columbine, um estudante de medicina adentra uma sala de cinema em São Paulo com uma submetralhadora, mata três pessoas e fere outras cinco.
Agora uma questão relevante, ponto abordado por Michael Moore no documentário Tiros em Columbine, assim como em outras produções, Norte Americanas, e inclusive pelo diretor da ONG AfroRegge em entrevista ao programa televisivo, Roda Viva. Como a liberalidade do comércio de armas legal e ilegal ocorre de maneira totalmente fluída. Esta questão é unicamente aventada quando fatos como este, presenciados no Rio acontecem, movimentando a opinião pública, e obrigando políticos como o senador José Sarney, propor novamente um referendo sobre o desarmamento. A sociedade aguarda o acontecimento de fatos calamitosos, para pensar na problemática das armas ilegais, do comércio ilegal patrocinado, por vezes, pela própria policia. Como um estudante de medicina tem acesso a uma submetralhadora? Basta ter dinheiro? Como o estado esta dinamizando as políticas públicas para combater este mercado?
Como já contava Renato Russo na música, A canção do senhor da guerra, “ Uma guerra sempre avança a tecnologia … mesmo sendo guerra santa, quente, morna ou fria , pra que exportar comida? Se as armas dão mais lucros na exportação...” Há muita gente ganhando dinheiro com o comércio de armas, agora cabe refletir em que interesses o combate a este comércio ex tremante lucrativo, afetará.
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